Você está se tornando melhor — ou apenas mais aceitável?

Você está se tornando melhor — ou apenas mais aceitável?

Talvez você não precise de muito para ser bonita. Talvez precise apenas ser você.

Victoria Parada, além de nutricionista, é graduanda em Psicologia. Em seu trabalho, acredita que alimentação e autocuidado não precisam caminhar separados do autoconhecimento e da autoestima.

 

Mais do que seguir padrões, trata-se de compreender quem você é, reconhecer sua própria história e descobrir aquilo que faz parte da sua verdadeira personalidade. O cuidado consigo pode — e deve — caminhar ao lado da sua essência.

Isso significa, por exemplo, buscar uma alimentação que cuide do seu corpo sem transformar seu corpo em uma tentativa constante de alcançar um padrão.

Vivemos em uma sociedade profundamente movida pela estética — e seria ingênuo dizer que isso não influencia a maneira como enxergamos a nós mesmos.

Para muitas pessoas, construir autoestima é uma longa jornada de desconstrução. E, muitas vezes, uma jornada dolorosa.

Aprendemos a interpretar a rejeição como um reflexo do nosso próprio valor.

Se alguém não nos escolhe, pensamos que não somos bons o suficiente.
Se uma empresa não nos contrata, acreditamos que nos falta alguma coisa.
Se alguém não corresponde aos nossos sentimentos, questionamos o que há de errado conosco.

Mas talvez exista uma diferença importante entre não ser escolhido e não ter valor.

Victoria explica que, muitas vezes, confundimos a opinião do outro com aquilo que somos.

Talvez você simplesmente não seja o tipo daquela pessoa.
Talvez não tenha o perfil que aquela empresa procura.
Talvez determinada relação não fosse feita para você.

E isso não diminui quem você é.

Aliás, os mesmos aspectos que fazem alguém não escolher você podem ser exatamente aqueles que farão outra pessoa enxergar o seu valor.

 

Você tem liberdade para fazer uma dieta, utilizar medicamentos para emagrecimento, como Ozempic ou Mounjaro, ou realizar procedimentos estéticos. O autocuidado não deveria ser um espaço de julgamento.

Mas talvez valha a pena fazer uma pergunta antes:

Estou fazendo isso porque quero cuidar de mim — ou porque acredito que preciso me modificar para ser aceita?

 

Existe uma diferença enorme entre querer transformar algo em você e acreditar que precisa se transformar para merecer alguma coisa.

Na história de Alice no País das Maravilhas, Alice precisa diminuir de tamanho para conseguir entrar em determinados lugares.

E talvez essa seja uma das metáforas mais interessantes para pensarmos sobre autoestima.

Quantas vezes você tentou diminuir quem é para caber no mundo de alguém?

Diminuiu sua personalidade.
Escondeu suas opiniões.
Mudou seu corpo.
Silenciou seus desejos.
Tentou ser menos para não incomodar.

Mas existe uma pergunta ainda mais importante:

E quantas pessoas, ao seu redor, estão dispostas a entrar no seu mundo?

Talvez a autoestima não seja sobre acreditar que você é perfeita.

Talvez seja sobre parar de acreditar que precisa ser diferente para merecer estar onde deseja estar.

Você não precisa diminuir para caber. 

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